quinta-feira, 2 de maio de 2019

"Caladinhos" da Feira, o biscoito da saudade que ninguém sabe quem baptizou

Os "caladinhos", um bolo típico da Feira, geram nesta fase o habitual comércio da saudade por parte de emigrantes, que, embora reconhecendo duas correntes quanto à origem do seu nome, preferem a versão que fala da PIDE.

Sérgio Gomes vive há 30 anos na Suíça, mas, durante as suas férias em Portugal, compra caladinhos quase diariamente na Feira, para os consumir no dia ou levar de viagem no regresso a casa."Ou os levo eu comigo, quando cá venho, ou peço a quem vem a Portugal que me compre alguns e mos leve para a Suíça", declara o emigrante hoje à Lusa."Acho que são uma maravilha e, como aos 16 anos desafiei o [António] Salazar ao fugir para Paris, gosto mais da teoria que diz que o nome dos `caladinhos` surgiu no tempo da ditadura, para enganar a antiga PIDE [Polícia Internacional e de Defesa do Estado]", explica.Essa versão é a adoptada no café Trovador, que, enquanto referência local no fabrico dos pequenos bolos, divulga a história num panfleto próprio: o chamado Augusto Padeiro estaria a confeccionar biscoitos quando, ao aperceber-se da chegada da polícia do regime à cozinha, recomendou aos seus empregados "Shiu! Estejam calados".Os agentes da PIDE, contudo, ouviram-no, pelo que, quando lhe perguntaram "Calados porquê?", o pasteleiro se viu obrigado a disfarçar, respondendo de improviso: "Porque estamos a fazer calados. Estes bolos são os caladinhos".Para Serafim Costa, gerente do Trovador, a história remonta a 1934, mas "ainda pouca gente a conhece porque, na Feira, o que se promove mais é sempre a fogaça".Seja pelo carisma que essa teoria vem emprestando ao biscoito seja pela "qualidade da confecção da casa", como o empresário defende ao realçar que "há muita falsificação a circular em cafés, nos vendedores ambulantes e em supermercados", o facto é que "a procura de caladinhos tem aumentado de ano para ano" nesse estabelecimento, com os clientes a comprarem diariamente 10 a 15 sacos de 500 gramas desses bolos.Já no Café Castelo, outra referência local no fabrico das iguarias tradicionais da Feira, Diogo Almeida diz que "os caladinhos não têm tanta saída como a fogaça, porque não são um doce muito divulgado", mas reconhece que "os emigrantes da Feira compram-nos sempre quando vêm de férias, para comer cá ou levar para o estrangeiro".Quanto à designação do biscoito, o proprietário do Café Castelo muda de registo. "Já havia caladinhos muito antes da PIDE e, só por causa das coisas, nós encomendámos um estudo ao Museu Convento dos Lóios [na Feira], para ver se eles descobrem qual é a referência histórica mais antiga que existe sobre eles", anuncia.Para Diogo Almeida, a explicação para o nome do bolo será menos rebuscada do que a de contornos Salazaristas: "Como se trata de um bolo muito simples, que não enche muito o olho, o nome deve ter vindo de se dizer `Come e cala-te. Aprecia e caladinho!`".Farinha, ovos e açúcar são os ingredientes-base da iguaria, mas Ramiro Santos, também do Trovador, realça que "o grande segredo está todo na cozedura, a altíssimas temperaturas"."Não é um bolinho de aparência muito apetitosa, mas quem prova adora-o, pelo paladar e pela textura que tem no meio", esclarece. "Aí é que está a surpresa", assegura.Irene Gomes, também Emigrante na Suíça, abastece-se dos biscoitos originais durante as férias em Portugal, mas durante o resto do ano, para a família e para os amigos estrangeiros, replica na sua cozinha as receitas que retira da Internet. "Só que não há nenhum caladinho feito em casa que se compare aos que compramos nestas pastelarias", confessa.




Laboratório de Sabores

Este é o sítio que não se vê, mas foi o que mais gostei. Há um forno eléctrico para as eventualidades, um fogão e uma batedeira. Tudo o resto é feito à mão e cozido em forno a lenha. O bolo brigadeiro, o salame de chocolate com fogaça, croissant e pastéis de nata, tartes e semifrios, bolachas, scones e caladinhos e todas as variedades de fogaça que já descrevi. Tudo começa aqui, numa cozinha espaçosa e cheia de sol, onde cada coisa tem o seu lugar para, no final, todas se misturarem numa harmonia de cheiros e sabores que é impossível ignorar. Tudo é delicioso no Museu e foi na sua cozinha que encontrei a explicação. O chocolate é mesmo chocolate, a manteiga é mesmo manteiga, as framboesa são frescas e tudo é feito no dia, com aposta numa confeitaria diferente, que procura e cria as suas próprias receitas.
Para além da Festa das Fogaceira, que ocorre a 20 de Janeiro, o Museu Vivo da Fogaça acompanha os outros eventos da terra, trajando-se a rigor para a Viagem Medieval e vestindo-se de cor para o Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua. Mas, já aí está Perlim – Uma Quinta de Sonhos, um parque temático de Natal, e o Museu criou um doce especial, as Bolas de Berlim, que são feitas no forno (ao invés de fritas), recheadas com um creme colorido com corantes naturais e polvilhada com brilhantes comestíveis. O resultado é mágico e é impossível olhar para elas sem nos sentirmos invadidos pela magia que o evento proporciona.
Ainda assim, o que torna este espaço realmente especial são as pessoas. Todos com simpatia e um sorriso no rosto, partes num projecto em que acreditam. E, naturalmente, a extraordinária equipa de criativos que pensa e repensa, tenta e volta a tentar, até chegarem ao resultado perfeito.

Comodidades

Os caladinhos são outro ícone da gastronomia feirense. Biscoitos de consistência mole, e com uma forma arredondada e achatada, de óptimo paladar, são também muito procurados pelos visitantes. Uma doce sugestão gastronómica como companhia num delicioso lanche de fim de tarde numa das agradáveis esplanadas da cidade.



Morada: Praça da República, Santa Maria da Feira












terça-feira, 16 de abril de 2019

Caladinhos

Adoro Caladinhos!
Só de pensar fico com água na boca!
Os Caladinhos são uns doces tradicionais de Santa Maria da Feira, muito populares  das festas das Fogaceiras. É evidente que, de tão bons que são, os podemos encontrar durante todo o ano em todas as boas pastelarias de Santa Maria da Feira e arredores.
Sempre pensei que fosse algo muito complicado de fazer. Até que apareceu uma amiga da minha mãe com a receita! Decerto não é a receita mais tradicional ou mais original, mas o resultado é bastante agradável e até parecido com o original.









Receita dos caladinhos


Ingredientes

4 gemas
4 ovos inteiros
500 g de açúcar
659 g de farinha
Preparação
·   Bater os ovos inteiros e as gemas com o açúcar muito bem, durante cerca de 10 minutos.
    Misturar a farinha com a mistura de ovos e açúcar.
    Moldar bolas com as mãos e colocar num tabuleiro untado e enfarinhado .
e  Levar ao forno acerca de 180º .
    Retirar os caladinhos do forno ainda um pouco crus porque secam muito depois de frios.
                         





História do emigrante e os Caladinhos

Um emigrante que vivia há 30 anos na Suíça nas suas férias em Portugal, comprava caladinhos quase diariamente na Feira, para os consumir no dia ou levar de viagem no regresso a casa. "Ou os levo eu comigo, quando cá venho, ou peço a quem vem a Portugal que me compre alguns e mos leve para a Suíça", declara o emigrante hoje à Lusa. “Acho que são uma maravilha e, como aos 16 anos desafiei o [António] Salazar ao fugir para Paris, gosto mais da teoria que diz que o nome dos 'caladinhos' surgiu no tempo da ditadura, para enganar a antiga PIDE [Polícia Internacional e de Defesa do Estado] ".Para o gerente do Trovador, a história remonta a 1934, mas ainda pouca gente a conhece porque, na Feira o que se promove mais é sempre a fogaça.


História dos caladinhos

Os caladinhos é um bolo típico da Feira, geram nesta fase o habitual comércio da saudade por parte de emigrantes que, embora reconhecendo duas correntes quanto à origem do seu nome, preferem a versão que fala da PIDE.
Os caladinhos têm uma consistência mole. São confecionados com farinha, açúcar e ovos.
Em 1934 vivia-se em clima de ditadura em Portugal. Um dia a noite em Santa Maria da Feira, O Padeiro e seus empregados estavam a fazer biscoito sortido com a forma arredondada e achatada, quando foram visitados pela policia do regime. O Padeiro com medo disse aos seus empregados: "Shiu! Calados!" Um dos elementos da Policia perguntou "Porque disse Calados" O Padeiro respondeu: "Porque estamos a fazer calados. Estes biscoitos são os caladinhos!